Compartilhar informação é poder

Nota

VINT CERF
Quando Robert Khan e eu estávamos inventando o protocolo IP e  a arquitetura da Internet, no início da década de 70, os sociólogos argumentavam que a informação tinha levado os indivíduos a perder o controle de sua vida diária para as corporações, os governos nacionais e a mídia de massa. Alguns pensadores falavam na perda do sentido de comunidade, enquanto outros apontavam para a sensação generalizada de alienação e impotência em uma era de prosperidade material.
O correio eletrônico e as listas de discussão tinham sido desenvolvidos na antecessora da Internet, a Arpanet, uma rede de computadores patrocinada por um órgão ligado ao Departmento de Defesa Americano. Estas duas tecnologias confirmaram para um pequeno grupo de cientistas que a conexão entre computadores não significava simplesmente a interligação de máquinas para a troca de softwares e informações, mas também a possibilidade de uma nova e aprimorada forma de comunicação humana. Pioneiros já tinham reconhecido o poder potencial dos computadores e da comunicação para reforçar as relações sociais, e essas especulações se tornaram realidade com a Arpanet, a usenet e mais tarde a Internet.
Estas idéias foram mais fortalecidas com a chegada da www e a rápida expansão da Internet. A avalanche de informações circulando pela rede e o desenvolvimento de aplicações sobre infraestrutura me surprenderam por sua magnitude e diversidade. O poder foi transferido para os indivíduos de um modo jamais visto antes. Vozes que poderiam ter passado despercebidas em outros tempos ganharam uma plataforma amplificadora, capaz de chamar a atenção em uma escala global. A introdução de blogs, vídeos, redes sociais e corporativas – para não dizer sobre os três bilhões de celulares em uso no mundo, muitos dos quais com acesso a Internet – adicionou grande energia a um sistema já em expansão vigorosa.
Na minha opinião, um dos efeitos mais importantes da web é dar ás pessoas mais condições de cobrar responsabilidade de empresas, governos e de outros atores sociais. O acesso às informações do mundo inteiro e a capacidade de passá-las adiante foram durante séculos controlados pelos mais ricos e bem-educados. Ao derrubar muitas das barreiras entre as pessoas e a informação, a Internet efetivamente democratizou o acesso ao conhecimento humano, tornado-o disponível para todos. Uma criança de Salvador poderá analisar livros da Biblioteca Bodleian, em Oxford, como se fosse aluno daquela universidade. E todos nós podemos utilizar o poder das informações para comprar as melhores mercadorias e serviços., fazer com os governos se responsabilizem pelos seus atos e também nos expressar. Uma lição secundária é que o antigo adágio informação é poder precisa ser corrigido para compartilhar informação é poder. E é claro que, com o fluxo enorme de informação, aumenta o desafio de encontrar o que é relevante, e essa tarefa é cumprida pelas ferramentas de busca que filtram a Internet e procuram organizar seus conteúdos.
Adiante, mas não tão longe no futuro, haverá uma forte evolução nas aplicações de redes sociais e em aplicações móveis. O interesse por informações acopladas a mapas vai crescer e se tornará um importante elemento nos novos modelos de negócio. Também veremos um número crescente de equipamentos conectados a Internet – alguns deles utilizando sensores que vão conversar entre si. Sistemas de entretenimento serão acessíveis e gerenciáveis por meio da Internet. Quase metade da população mundial estará conectada até 2010. O restante possivelmente até 2015.
Em nenhum outro setor essa transformação provocada pela Internet será tão parente como na indústria de mídia. Antes da Internet, a maioria das pessoas recebia passivamente um menu fixo de notícias e entretenimento, entregue por meio de jornais, revistas, teatro , rádio e televisão. Com o crescimento da rede, os usuários adquiriram o controle sobre o que consomem e quando consomem. Seja lendo um artigo de jornal online um dia antes de ser impresso, seja assistindo a um vídeo no Ipod num vagão de metrô, os usuários agora escolhem o que ler  e assistir – e quando vão fazê-lo. Eles também têm mais opções para decidir quando e se vão assistir à publicidade. Mais fundamentalmente, entretanto, a Internet dá poder para qualquer um criar conteúdo e compartilhá-lo com uma audiência global seja escrevendo um blog sobre música brasileira, seja partilhando com os  demais um vídeo no YouTube sobre uma nova técnica agrícola.
Esse mesmo poder transformador aumentou a capacidade dos mal-intencionados de perturbar o bem estar dos cidadãos da rede. Como consequência, temos a necessidade de melhorar a segurança da Internet e de suas aplicações e de aprimorar as ferramentas para que as leis sejam cumpridas e os transgressores punidos. Igualmente, a cooperação internacional para garantir o funcionamento e a proteção da Internet tornou-se uma prioridade para as muitas organizações responsáveis por estabilidade, confiabilidade e segurança do sistema.
A Internet aproxima visões e preferências de milhões de pessoas e faz com que elas tenham significado. As empresas sabem melhor do que nunca quais mercadorias e serviços as pessoas demandam, e os consumidores sabem mais sobre quais produtos e preços as empresas oferecem. Mas a Internet vai muito além de melhorar o funcionamento dos mercados. Acima de tudo, ela abriu espaço para as comunidades de todos os tipos. Eleitores e políticos se comunicam diretamente uns com os outros. Novas avenidas de auto-expressão garantem que uma voz individual atinja um público global. Preservar esses benefícios deveria estar entre as prioridades mais altas da agenda social e econômica do planeta.

Publicado na revista Exame 40 anos de 05 de dezembro de 2007.

A cadeia de valor da informação

 por manoel veras

Uma maneira inteligente de verificar como a informação impacta a organização é utilizar a cadeia virtual de valor criada por Harvard Reyport e John Sviokla em 1995 em conjunto com a cadeia de valor criada por Michael Porter em 1985.

Uma cadeia de valor representa o conjunto de atividades desempenhadas por uma organização incluindio logística, produção, vendas e serviços. A cadeia de valor é formada por  atividades primárias e atividade de apoio conforme ilustra a figura abaixo. As atividades da cadeia de valor são responsáveis diretamente pela margem de lucro obtida com a operação do negócio.

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A idéia é que existe uma cadeia virtual, uma cadeia da informação, que acontece em paralelo a cadeia física de valor. A cadeia virtual trata basicamente do fluxo da informação conforme ilusta a figura abaixo.

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A informação pode ser coletada em todas as etapas da cadeia física de valor. A informação pode ser utilizada para melhorar o desempenho em cada etapa da cadeia física e pode ser coordenada ao longo dela. A informação pode também ser analisada e redesenhada para a construção de produtos baseados em conteúdo ou novas linhas de negócio. Uma organização pode utilizar as informações que dispõe para chegar aos clientes ou às operações de outras empresas.

Referências :

Porter , Michael E. Vantagem Competitiva: Criando e Sustentando um Desempenho Superior. Tradução. Editora Campus: 1989.